terça-feira, 5 de maio de 2009

As exportações e o fator China

Analise sobre exportações e o papel da china. Grande Nassif!

 
 

Sent to you by Claudio via Google Reader:

 
 

via Luis Nassif by luisnassif on 5/5/09

Coluna Econômica - 05/05/2009

Um dos pontos chave para saber de que forma o país sairá da crise é o desempenho da balança comercial. Nos tempos de bonança para o comércio mundial, o câmbio impediu o aumento das exportações de manufaturados. O saldo comercial dependeu da explosão do consumo e das cotações de commodities.

***

As primeiras avaliações do IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) não são otimistas.

Nos primeiros seis meses de crise – de outubro de 2008 a março de 2009 - , o déficit de produtos manufaturados passou de US$ 9,8 bilhões (12 meses antes) para US$ 17,6 bilhões. Dois anos antes, estava em apenas US$ 1,7 bilhões, comprovando o papel deletério da apreciação cambial. Como a trajetória já era de queda, não se pode dizer que a crise tenha desempenhado papel adicional.

***

A desvalorização cambial melhorou a competitividade dos manufaturados brasileiros; a recessão global reduziu o mercado.

Segundo o IEDI, praticamente todos os setores de manufatura pioraram no período, com exceção do setor de maquinaria-eletroeletrônico. Neste, o déficit caiu. A razão é ser um setor muito importador, que foi afetado pela produção doméstica de bens como aparelhos celulares e equipamentos de informática.

***

Para contrabalançar esse dado pessimista, nos últimos meses está havendo uma gradativa melhora nas cotações de commodities – inclusive de petróleo – devido à China. De um lado, a China precisa de insumos para garantir seus planos de investimento interno.

De outro, há uma estratégia clara de sua parte. Aproveita, agora, que os preços estão baixos para uma superestocagem dos principais commodities. Quando o mercado internacional se aquecer, o fato de dispor de estoques consideráveis lhe dará um ganho adicional nas negociações com os fornecedores.

***

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) registram aumento de 76% nas exportações para a China – graças, principalmente, a minério de ferro, produtos siderúrgicos, soja em grão e celulose.

***

Com esses dados, a China ultrapassou os Estados Unidos como principal comprador de produtos brasileiros, com US$ 2,2 bilhões em abril, contra US$ 1,3 bi dos EUA, US$ 820 milhões da Argentina.

Esse aumento acontece em um trimestre – janeiro-março – em que as exportações brasileiras registraram queda de 19% em relação ao mesmo período de 2008.

***

Com a balança comercial recuperando os saldos – embora com queda significativa do comércio exterior como um todo -, com os juros do Banco Central e com as perspectiva de nova rodada de apreciação do real, o capital especulativo volta ao país.

Ontem, o dólar caiu mais de 2%, a R$ 2,131, menor cotação desde 5 de novembro.

A infindável fraqueza de Lula para contraditar o BC poderá gerar mais uma rodada de apreciação, jogando fora a possibilidade do país sair fortalecido dessa rodada de crise global.


 
 

Things you can do from here:

 
 

Incompreensões em torno do Bolsa Família

Luiz Nassif refletindo sobre o bolsa familia! concordo com ele!

 
 

Sent to you by Claudio via Google Reader:

 
 

via Luis Nassif by luisnassif on 5/5/09

Há uma enorme incompreensão que ainda remanesce em relação ao Bolsa Família.

A maior delas é em torno de uma dicotomia inexistentes: em vez de dar esmola o Estado deveria dar emprego.

Primeiro, não são políticas excludentes. Dá-se a base de sustentação mínima e oferece-se emprego.

Segundo, políticas de desenvolvimento - e de aumento de emprego - são inócuas sobre a base da pirâmide, se não vier acompanhadas de políticas de inclusão.

Numa ponta, tem-se a questão regional, os bolsões de pobreza. Essas regiões não se desenvolvem porque não tem consumo; não tendo consumo não atraem empresas; não atraindo empresas, não geram empregos.

Esse círculo vicioso está sendo rompido nas regiões mais pobres graças ao Bolsa Família e à Previdência Social. Criaram-se as bases para um consumo popular que estimulou empresas a investirem no atendimento à nova demanda. Em muitos lugares, o passo seguinte já foi dado, de instalação de empresas para atender à região.

Os valores da Bolsa e da aposentadoria são irrisórios mas permitiram uma estabilidade de ganhos. O que caracteriza a renda dos muito pobres, além do pequeno valor, é a inconstância do recebimento. Como não estão no mercado formal, dependem de bicos. Essa instanilidade impedia qualquer forma de comprometimento de renda com crédito. A Bolsa Família e a melhora nos benefícios da Previdência forneceram esse colchão mínimo. Com isso, a baixa renda pode ir às compras - a maior parte dos gastos, aliás, em alimentos e produtos de limpeza, mas parte em bens de consumo durável.

O segundo ponto é a inclusão dos miseráveis no mercado de trabalho. Também aí há uma incompreensão do que seja a miséria absoluta. E reflete a visão preconceituosa de que a miséria é fruto da vagabundagem.

A miséria absoluta é uma questão cultural. O sujeito vive na miséria porque aprendeu a viver apenas na miséria. Não tem noção do que seja sair da miséria. Aceita a condição como se fosse uma inevitabilidade.

O Bolsa investe em portas de saída do programa. A parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) mostra isso. Mas não se esperem resultados auspiciosos com os miseráveis. O máximo que se conseguirá, apertando as condicionalidades de colocar os filhos na escola, será salvar dessa tragédia a geração dos filhos.

Portanto espere-se da Bolsa Família o que ela pode dar: impedir a fome (só isso já seria suficiente para legitima-la); impedir a desagregação familiar; estimular a matrícula das crianças na escola.

A consolidação final do Bolsa Família será transformá-la em um ativo do Estado, do atual estágio da civilização brasileira e não um feito pessoal do governo Lula. Caso contrário, se entrar outro partido no poder, a tentação será "refundar" o Brasil. Essa é a verdadeira tragédia brasileira, praticada por todos os partidos independentemente de escolaridade.


 
 

Things you can do from here: